Marcos Conceituais

Ecologia de Práticas

Definição
Ecologia das práticas é a invenção de maneiras pelas quais práticas diferentes poderiam aprender a coexistir, respondendo a obrigações divergentes. A ecologia da práticas é uma ferramenta não neutra que deve ser usada com determinação e reconhecimento da relevância da situação. Stengers enfatiza que as ferramentas para pensar devem fazer com que a situação nos faça pensar, em vez de simplesmente reconhecer padrões preexistentes. A ecologia das práticas rejeita a destruição capitalista como condição para algo mais importante e busca construir novas identidades práticas.

Mediação entre as três linhas conceituais

Uma ecologia das práticas permite articular essas linhas sem hierarquia, como camadas que se atravessam e se traduzem mutuamente. Urbanismo menor: práticas situadas, insurgentes, táticas.Atmosferas espaciais: materialidades sensíveis, afetivas, estéticas. In-between spaces: zonas liminares, intermediações, bordas.

Ecologia como trama relacional
O glosário de neologismos a seguir não deve ser lido como uma coleção estática de conceitos, mas como um campo de coexistência onde cada termo ganha sentido no contato com outros. Seguindo Stengers, a ecologia de práticas impede que um conceito seja absoluto, obrigando-o a se “fazer pensar” a partir da situação em que se aplica.

Resposta à pesquisa (segundo o arquivo da chamada)
O projeto CNPq parte da hipótese de que a conjugação ampliada desses conceitos — urbanismo menor, atmosferas, intermediaridades — é capaz de identificar processos de privatização/banalização do espaço e propor alternativas para cidades mais equitativas
. Inserir a noção de ecologia das práticas oferece um quadro metodológico: em vez de buscar síntese ou modelo único, reconhece a pluralidade de práticas (acadêmicas, sociais, comunitárias, artísticas) como produtoras de conhecimento situado.


Diagrama Conceitual Inicial

Contextualização
Ecologia das práticas é a invenção de maneiras pelas quais práticas diferentes poderiam aprender a coexistir, respondendo a obrigações divergentes. A ecologia da práticas é uma ferramenta não neutra que deve ser usada com determinação e reconhecimento da relevância da situação. Stengers enfatiza que as ferramentas para pensar devem fazer com que a situação nos faça pensar, em vez de simplesmente reconhecer padrões preexistentes. A ecologia das práticas rejeita a destruição capitalista como condição para algo mais importante e busca construir novas identidades práticas.


Referências

Stengers, I. (2005). Introductory Notes on an Ecology of Practices. Cultural Studies Review, 11(1), 183-196. https://doi.org/10.5130/csr.v11i1.3459[1] Stengers, Isabelle. 2014. “La propuesta cosmopolítica.” Revista Pléyade 14 (julio-diciembre): 17–41. ISSN 0718-655X.

In-between

O entre-meio (in-between), entendido como espaço intersticial que permite interações e transições e como condição espacial e experiencial intermediária, ambígua e fértil, conecta-se ao urbanismo menor ao destacar práticas cotidianas e infraordinárias que surgem justamente nesses territórios híbridos, desafiando categorias normativas e revelando novas formas de uso; relaciona-se às atmosferas espaciais ao constituir ambiências sensíveis de transição, nas quais luz, som, proximidade e movimento intensificam a experiência perceptiva e afetiva; e vincula-se diretamente aos in-between spaces por ser sua própria definição conceitual, ou seja, um espaço relacional que media entre opostos — público/privado, interno/externo, formal/informal —, gerando significados híbridos e potencializando a criatividade urbana.

Conceitos relacionados:

Door-Step; Entre-meio (in-between); Espaço limiar (threshold space); Espaço de mediação; Espaços residuais criativos; Entre lugar; Espaços heterotópicos; Idiocia; Interstício; Instituições; Móveis e Nômades; Liminalidades urbanas; “O entre” (em alemão, das Zwischen); Terceira margem; Paratexto; Rizoma; Espaços intervalares; Intersticialidades sociais; Heterocronias urbanas; Topologias liminares; Infra-espacios; Entre-corpos; Espaços de indisciplina; Fendas urbanas; Temporalidades porosas; Microfronteiras; Borda; Limite; Fronteira.

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