Marcos Conceituais

Marcos Conceituais
Os marcos conceituais do projeto EPIURB constituem um campo relacional de investigação dedicado à compreensão crítica da produção do espaço urbano contemporâneo. A pesquisa parte da constatação de que a cidade se configura por meio de processos complexos, atravessados por múltiplas escalas, práticas e temporalidades, que frequentemente escapam aos modos habituais de leitura do urbano. Diante das categorias tradicionais de análise, este enfoque busca evidenciar os limites e a rigidez dos indicadores convencionais, frequentemente utilizados para interpretar o território, ao mesmo tempo em que procura tornar visível a complexidade da experiência urbana e das práticas que a constituem. Nesse contexto, o projeto organiza seu enquadramento teórico a partir de três conceitos fundamentais que estruturam a investigação: urbanismo menor, atmosferas espaciais e espaços de intermediaridade (in-between spaces). Esses três eixos orientam a leitura das dinâmicas urbanas e permitem articular diferentes dimensões da experiência urbana, reunindo aspectos sociais, culturais, sensoriais e espaciais que participam da produção do espaço. Os marcos conceituais apresentados neste projeto funcionam como ferramentas abertas de análise e reflexão, mobilizadas dentro de uma ecologia de práticas que reconhece a coexistência de diferentes saberes, experiências e modos de produzir conhecimento sobre a cidade.
A partir desse enquadramento, o projeto desenvolve um conjunto de conceitos operativos que permitem aprofundar a investigação sobre processos urbanos contemporâneos e suas manifestações no espaço. Entre eles encontram-se noções como espaço limiar, esfera, temporalidade, paisagem, micropolítica urbana e afetividade arquitetônica, conceitos que contribuem para examinar dimensões frequentemente invisibilizadas pelos instrumentos tradicionais de análise urbana. Esses termos possibilitam observar fenômenos relacionados aos ritmos cotidianos da cidade, às ambiências sensíveis que configuram a experiência espacial, às práticas infraordinárias que estruturam a vida urbana e às zonas intersticiais onde emergem formas de convivência, negociação e transformação do território.
O conceito de urbanismo menor orienta a investigação das práticas situadas que configuram o espaço urbano a partir de gestos cotidianos, apropriações coletivas e ações micropolíticas que atuam no interior do tecido urbano. As atmosferas espaciais permitem analisar como qualidades ambientais e sensíveis — como luz, som, materialidade, proximidade e clima — participam da construção da experiência urbana e da formação de vínculos afetivos com o espaço. Já os espaços de intermediaridade (in-between spaces) tornam visíveis territórios híbridos de transição e negociação, nos quais fronteiras como público e privado, interior e exterior ou formal e informal se tornam permeáveis e suscetíveis a reconfigurações.
A articulação desses três conceitos fundamentais abre caminho para uma abordagem sensível e crítica da cidade contemporânea, capaz de reconhecer a complexidade dos processos que produzem o espaço urbano. Identidades, práticas sociais, memórias coletivas, conflitos e formas de apropriação passam a ser examinados em relação direta com as condições espaciais e ambientais que os tornam possíveis. Nesse sentido, o projeto desenvolve uma cartografia conceitual e experimental do urbano, na qual cada conceito atua simultaneamente como instrumento analítico e como dispositivo para explorar novas formas de interpretação e representação da cidade.
Ao reunir contribuições provenientes da arquitetura, do urbanismo, da filosofia, da geografia e das ciências sociais, o EPIURB constrói um campo de reflexão transdisciplinar que compreende a cidade como um sistema aberto de relações e práticas. A investigação conceitual articula-se a processos empíricos, cartográficos e experimentais que ampliam a capacidade de compreender e representar as múltiplas formas de habitar, produzir e transformar o espaço urbano contemporâneo. Essa perspectiva contribui para o desenvolvimento de instrumentos teóricos e metodológicos capazes de aprofundar o debate crítico sobre a cidade, fortalecendo a investigação das dinâmicas urbanas e suas implicações sociais, culturais e espaciais.
Como navegar pelos conceitos?
Ao acessar a página de um conceito, o usuário encontra, inicialmente, uma definição sintética destacada em negrito. Essa breve descrição funciona como um ponto de entrada, oferecendo uma apreensão imediata do termo. Logo abaixo, desenvolve-se um campo fundamental das articulações conceituais. Na coluna esquerda, estão listados todos os conceitos pertencentes à mesma categoria principal, permitindo transitar entre termos correlatos. Já a coluna direita apresenta uma galeria de imagens, cuja curadoria foi realizada pelo grupo de pesquisa. Por fim, na parte inferior da página, encontra-se um gráfico de navegação que explicita visualmente as conexões entre o conceito em questão e os demais. Esse recurso sintetiza a proposta do site ao evidenciar os pontos de contato, tensão e continuidade entre os diferentes termos, convidando percursos múltiplos.
Base de Dados
A – D
- AbdouMaliq Simone
- Adriana Collado
- Antonio Negri
- Acunpuntura Urbana
- Afetividade Arquitetônica
- Agencia Infraordinária
- Agenciamento coletivo
- Ambiente Sensorial
- Alberto Pérez-Gómez
- Andrea Brighenti
- Allen Carlson
- Arnold Berleant
- Arquitetura Menor
- Arquiteturas atmosféricas
- Arquiteturas atmosféricas (atmospheric architectures)
- Asef Bayat
- Atmosfera comum
- Atmosferas sonoras
- Attunement (Ajuste atmosférico)
- Autogovernança
- Banalização da paisagem
- Bárbara Guazzelli
- Barbara Scudeller
- Baruch Spinoza
- Belas artes vs. artes mecânicas ou úteis
- Ben Anderson
- Borda
- Bruno Latour
- Cibele Saliba Rizek
- Camila Ferreira Guimarães
- Carlos Arturo Navas Iannini
- Carlos Tapia
- Carolina Prieto
- Cesar Cumbe
- Cohabitação (co-inhabitation)
- Colonialidade
- Comunalização / produção do comum (commoning)
- Comuns Urbanos
- Construção atmosférica
- Corporeidade sensível
- David Bissell
- David Howes
- Decolonialidade
- Deleuze Gilles
- Derek P. McCormack
- Desregulamentação e flexibilidade normativa
- Desterritorialização
- Design atmosférico
D – I
- Design sensorial
- Direito à cidade
- Domesticidade urbana
- Door-Step
- Ecologia de Práticas
- Ecologia política do ar
- Ecologias afetivas
- Ecologias do cotidiano
- Edward Casey
- Edward Soja
- Embodied atmospheres (Rudofsky)
- Emilia Afonso Nhalevilo
- Entorno sensível
- Entre-corpos
- Entre-meio (in-between)
- Entre lugar
- Espace indicible Le Corbusier
- Espacialidade atmosférica
- Espaçamento aerostático (aerostatic spacing)
- Espaço de mediação
- Espaço limiar (threshold space)
- Espaço sensorial
- Espaços de indisciplina
- Espaços emocionais
- Espaços heterotópicos
- Espaços intervalares
- Espaços residuais criativos
- Esfera
- Estética atmosférica
- Estética ecológica
- Estética fenomenológica
- Experiência espacial
- Félix Guattari
- Fendas urbanas
- Francesc Muñoz
- Frédéric De Matteis
- Fronteira
- Gabriela Andrade
- Gérard Genette
- Gernot Böhme
- Guimarães Rosa
- Henri Lefebvre
- Heterocronias urbanas
- Heterotípias Urbanas
- Idiocia
- Ignasi de Solà-Morales
- In-between
- Infra-espacios
I – R
- Infraestruturas sociais
- Instituições Móveis e Nômades
- Intersticio
- Intersticialidades sociais
- Isabele Stengers
- Ivan Periañez
- Jeffrey Hou
- Jim Drobnick
- Juhani Pallasmaa
- Julio Arroyo
- Karen A. Franck
- Kathleen Stewart
- Kevin Lynch
- Laboratórios urbanos
- Liminalidades urbanas
- Limite
- Literatura menor
- Lívia Zanelli
- Lucia Leitão
- Maíra Cristo Daitx
- Maisa Fonseca de Almeida
- Manoel Rodrigues Alves
- Maritório
- Materialidade aérea
- Maurice Merleau-Ponty
- Maurizio Lazzarato
- Meio etéreo
- Meio etéreo (ethereal medium)
- Michael Hardt
- Michel de Certeau
- Microfronteiras
- Microintervenções urbanas
- Micropolítica urbana
- Multitudo
- Nigel Thrift
- Non-Plan
- “O entre” (em alemão, das Zwischen)
- Ontologia atmosférica
- Paisagem
- Paula Braga
- Pál Pelbart
- Paratexto
- Peter Sloterdijk
- Peter Zumthor
- Pierre Janet
- Priscila Soares Batista
R – Z
- Politização do enunciado individual
- Planejamento Urbano Fraco (Branzi)
- Práticas espaciais não normativas
- Psicastênia
- Quase-coisas (quasi-things)
- Raquel Ladislau
- Rizoma
- Rodrigo Firmino
- Rob Kronenburg
- Rogério Haesbaert
- Rogério Proença Leite
- Sara Ahmed
- Sensibilidade espacial
- Sensorium atmosférico
- Sintonia afetiva
- Situacionalidade urbana
- Stavros Stavrides
- Steven Connor
- Tamira de Carvalho
- Táticas infraestruturais
- Temporalidade
- Temporalidades porosas
- Terceira margem
- Territorialidade
- Território
- Tim Edensor
- Timothy Choy
- Topologias liminares
- Tommaso Griffero
- Thiago Reis dos Santos
- Umbrais urbanos
- Umbrais do Urbano
- Uncanny
- Urbanismo menor
- Urbanismo comunitário
- Urbanismo contingente
- Urbanismo de guerrilha
- Urbanismo emergente
- Urbanismo estratégico
- Urbanismo Faça-Você-Mesmo (DIY)
- Urbanismo insurgente
- Urbanismo insurgente digital
- Urbanismo multiespécie
- Urbanismo tático
- Victor Turner










































































































































































































































































































































