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EPIURB é um projeto de pesquisa que propõe um enquadramento analítico renovado para a compreensão das dinâmicas que conformam a cidade contemporânea. Em contraste com abordagens urbanísticas tradicionais, frequentemente orientadas por racionalidades hegemônicas de ordenamento, gestão e controle do espaço, o projeto assume uma perspectiva ampliada, transversal e transdisciplinar, integrando contribuições de diferentes campos do conhecimento pertinentes à Arquitetura e ao Urbanismo.

Partindo do reconhecimento de que o urbano atual se caracteriza por identidades móveis, territorialidades cambiantes e formas heterogêneas de produção espacial, o EPIURB investiga processos que tendem a permanecer sub-representados em análises convencionais. Nesse sentido, desloca o foco do urbanismo como prerrogativa de instâncias centralizadas para considerar a cidade como produção histórica e cotidiana, resultante da ação de múltiplos agentes, práticas e regimes de uso, em permanente negociação e disputa.

O projeto dedica atenção particular às realidades urbanas em constante reinvenção, sobretudo nas interações entre contextos Sul–Sul, buscando explicitar assimetrias, conflitos e disputas por reconhecimento que atravessam o espaço urbano. Ao articular diferentes saberes, o EPIURB visa constituir repertórios críticos capazes de ler e interpretar processos de mercantilização, privatização e reconfiguração do espaço público, bem como práticas coletivas e formas de resistência socioespacial que reorientam sentidos de pertencimento, memória e equidade urbana.

Como resultado, o EPIURB afirma a necessidade de um pensamento urbano metodologicamente plural e epistemologicamente atento à complexidade do contemporâneo, comprometido com a produção de conhecimento crítico e com a ampliação das possibilidades interpretativas e interventivas sobre a cidade.

O PROJETO

O projeto Das Atmosferas e Intermediaridades de um Urbanismo Menor: epistemologias de uma (outra) Arquitetura investiga os modos contemporâneos de (re)produção da cidade, com atenção especial aos contextos Sul-Sul (Sul da América Latina e Sul da Europa). A pesquisa parte do entendimento de que o urbano atual é marcado por identidades fluidas, territorialidades instáveis e por transformações contínuas, resultantes de relações sociais complexas que envolvem usos, acordos, conflitos, imposições e adaptações mútuas.

Nesse cenário, observam-se processos articulados à mercantilização, ao consumo e à privatização do espaço urbano, bem como ao enfraquecimento dos papéis tradicionais do Estado na mediação das dinâmicas urbanas. Em contraposição a essas lógicas hegemônicas, o projeto adota o conceito de urbanismo menor como chave crítica para compreender práticas espaciais que escapam à domesticação do espaço público e revelam outras formas de produção da cidade, ancoradas no cotidiano, na resistência e na construção coletiva do espaço.

A investigação articula ainda a noção de atmosferas espaciais, derivada de Peter Sloterdijk, para interrogar como se constituem as ambiências dos espaços públicos, considerando suas dimensões sensíveis, simbólicas e políticas. A partir dessa abordagem, são propostas três linhas analíticas centrais: intermediaridades, processos de resistência e memórias e construções de imaterialidades. O objetivo é ampliar a compreensão do espaço público como campo de disputa, pertencimento e produção de sentidos, contribuindo para a reflexão sobre alternativas possíveis à banalização e à privatização do urbano, em direção a cidades mais equitativas.

www.epiurb.leauc.iau.usp.br

O website do EPIURB configura-se como uma extensão orgânica da proposta teórica e metodológica do projeto, funcionando não apenas como espaço de divulgação institucional, mas como plataforma ativa de mediação, experimentação e circulação de saberes críticos sobre o urbano contemporâneo; integrado às investigações do projeto Das Atmosferas e Intermediaridades de um Urbanismo Menor, o ambiente digital organiza e articula textos, registros analíticos, ensaios visuais e reflexões que evidenciam práticas espaciais cotidianas, processos de resistência e construções imateriais frequentemente marginalizados pelas abordagens urbanísticas hegemônicas, favorecendo o diálogo transdisciplinar e as conexões Sul–Sul e reafirmando o compromisso do EPIURB com uma produção de conhecimento plural, situada e epistemologicamente atenta à complexidade, às disputas e às possibilidades interpretativas da cidade contemporânea.