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EPIURB
O EPIURB é um projeto de pesquisa que propõe um enquadramento analítico renovado para a compreensão das dinâmicas que conformam a cidade contemporânea. Em contraste com abordagens urbanísticas tradicionais, frequentemente orientadas por racionalidades hegemônicas de ordenamento, gestão e controle do espaço, o projeto assume uma perspectiva ampliada, transversal e transdisciplinar, integrando contribuições de diferentes campos do conhecimento pertinentes à Arquitetura e ao Urbanismo.
Partindo do reconhecimento de que o urbano atual se caracteriza por identidades móveis, territorialidades cambiantes e formas heterogêneas de produção espacial, o EPIURB investiga processos que tendem a permanecer sub-representados em análises convencionais. Nesse sentido, desloca o foco do urbanismo como prerrogativa de instâncias centralizadas para considerar a cidade como produção histórica e cotidiana, resultante da ação de múltiplos agentes, práticas e regimes de uso, em permanente negociação e disputa.
O projeto dedica atenção particular às realidades urbanas em constante reinvenção, sobretudo nas interações entre contextos Sul–Sul, buscando explicitar assimetrias, conflitos e disputas por reconhecimento que atravessam o espaço urbano. Ao articular diferentes saberes, o EPIURB visa constituir repertórios críticos capazes de ler e interpretar processos de mercantilização, privatização e reconfiguração do espaço público, bem como práticas coletivas e formas de resistência socioespacial que reorientam sentidos de pertencimento, memória e equidade urbana. Como resultado, o EPIURB afirma a necessidade de um pensamento urbano metodologicamente plural e epistemologicamente atento à complexidade do contemporâneo, comprometido com a produção de conhecimento crítico e com a ampliação das possibilidades interpretativas e interventivas sobre a cidade.
www.epiurb.leauc.iau.usp.br
O presente website configura-se como uma extensão da proposta teórica e metodológica do projeto, funcionando não apenas como um espaço de divulgação institucional, mas como uma plataforma ativa de mediação, experimentação e circulação dos saberes críticos mobilizados pela pesquisa. Integrado às investigações Das Atmosferas e Intermediaridades de um Urbanismo Menor, o ambiente digital articula a navegação dos marcos conceituais trabalhados que compõem aqui uma segunda camada de navegação, associada as galerias de imagens, diagramas, cartografias, mapas conceituais e publicações originais; favorecendo, desta forma, a experimentação de modos alternativos de leitura do urbano e a construção de uma experiência de navegação aberta, situada e sensível à complexidade da cidade contemporânea.
O PROJETO
O projeto Das Atmosferas e Intermediaridades de um Urbanismo Menor: epistemologias de uma (outra) Arquitetura investiga os modos contemporâneos de (re)produção da cidade, com atenção especial aos contextos Sul-Sul (Sul da América Latina e Sul da Europa). A pesquisa parte do entendimento de que o urbano atual é marcado por identidades fluidas, territorialidades instáveis e por transformações contínuas, resultantes de relações sociais complexas que envolvem usos, acordos, conflitos, imposições e adaptações mútuas.
Nesse cenário, observam-se processos articulados à mercantilização, ao consumo e à privatização do espaço urbano, bem como ao enfraquecimento dos papéis tradicionais do Estado na mediação das dinâmicas urbanas. Em contraposição a essas lógicas hegemônicas, o projeto adota o conceito de urbanismo menor como chave crítica para compreender práticas espaciais que escapam à domesticação do espaço público e revelam outras formas de produção da cidade, ancoradas no cotidiano, na resistência e na construção coletiva do espaço.
A investigação articula ainda a noção de atmosferas espaciais, derivada de Peter Sloterdijk, para interrogar como se constituem as ambiências dos espaços públicos, considerando suas dimensões sensíveis, simbólicas e políticas. A partir dessa abordagem, são propostas três linhas analíticas centrais: intermediaridades, processos de resistência e memórias e construções de imaterialidades. O objetivo é ampliar a compreensão do espaço público como campo de disputa, pertencimento e produção de sentidos, contribuindo para a reflexão sobre alternativas possíveis à banalização e à privatização do urbano, em direção a cidades mais equitativas.
METODOLOGIA
A metodologia parte do reconhecimento de que teoria e empiria se constituem por processos distintos e que seus sentidos se explicitam no decorrer da investigação. O projeto define um campo operacional e marcos teórico-conceituais comuns, mas trabalha com o cruzamento de olhares de diferentes áreas, buscando mapear contrapontos e sentidos mais do que comparar contextos. A investigação é qualitativa, combinando reflexão teórico-conceitual com análise de processos urbanos contemporâneos, de modos de produção do espaço e de disputas que envolvem equidade, exclusão e alteridade. O percurso inclui: análise bibliográfica sobre espaço público, urbanismo menor, atmosferas espaciais e intermediaridades; mapeamento de práticas e dinâmicas territoriais por observação participante e entrevistas semiestruturadas; sistematização rigorosa de usos e apropriações, elaborando “atmosfera espacial” como ferramenta teórico-metodológica, inclusive por cartografias críticas do sensível. A pesquisa prevê retroalimentação e revisão periódica de pressupostos, interlocução com pesquisadores e produção de informes parciais para reparametrizar enfoques e estratégias. Ao final, sistematiza registros e conclusões.





































































































































































































































































