Rizoma
O rizoma, conceito elaborado por Deleuze e Guattari em Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia, designa uma forma de organização não hierárquica e não linear, caracterizada pela multiplicidade, pela conexão e pela possibilidade infinita de expansão em qualquer direção. Ao contrário do modelo arbóreo, que pressupõe raízes fixas e uma ordem genealógica, o rizoma se constitui no entre, como intermezzo, onde não há início nem fim, mas um contínuo de ligações móveis. Sua lógica é a da conjunção — o “e… e…” — que rompe com a ontologia do ser e com os fundamentos rígidos, instaurando uma prática de pensamento e ação aberta, móvel e desterritorializada.
Conecta-se ao urbanismo menor por oferecer um modelo de práticas urbanas descentralizadas, situadas e conectivas, que emergem sem plano unificado; às atmosferas espaciais ao inspirar ambiências relacionais e múltiplas, nas quais a percepção se constrói por intensidades móveis; aos in-between spaces por sua própria condição de intermezzo, de espaço intermediário e transitório que articula fluxos; e à arquitetura menor ao legitimar formas arquitetônicas marginais, cotidianas e não monumentais, que se constroem rizomaticamente pela justaposição e pela conexão, em vez de uma hierarquia formal.
Deleuze, G., & Guattari, F. (1980). Mille plateaux: Capitalisme et schizophrénie. Paris: Les Éditions de Minuit.
(Tradução consultada: Deleuze, G., & Guattari, F. (1987). A thousand plateaus: Capitalism and schizophrenia (B. Massumi, Trans.). Minneapolis: University of Minnesota Press.)