Urbanismo Menor

Multitudo

A multitudo, retomada por Antonio Negri e Michael Hardt a partir de Baruch Spinoza, designa uma forma de coletividade que não depende de uma identidade unificada, mas que se constitui pela diversidade e pela potência de ação comum. Em Spinoza, no Tratado Político, a multitudo refere-se a um conjunto de pessoas não necessariamente organizadas politicamente, mas que possuem a capacidade de agir coletivamente, podendo ser ao mesmo tempo motor de transformação e espaço de irracionalidade. Já em Negri e Hardt, a multitudo surge como classe global emergente, que se opõe às formas tradicionais de soberania e poder, buscando construir novas formas de organização social baseadas na cooperação, na autonomia e na produção de comum.

Relaciona-se ao urbanismo menor por sua ênfase nas práticas coletivas infraordinárias e na capacidade de auto-organização contra estruturas dominantes; conecta-se às atmosferas espaciais por instaurar ambiências políticas e afetivas coletivas, nas quais a experiência comum ganha corpo; e vincula-se aos in-between spaces ao operar como força liminar, capaz de transitar entre institucionalidade e informalidade, ordem e insurgência, estabelecendo novos modos de coabitação e agência urbana.

Hardt, M., & Negri, A. (2000). Empire. Cambridge, MA: Harvard University Press.

Hardt, M., & Negri, A. (2004). Multitude: War and democracy in the age of Empire. New York: Penguin.

Spinoza, B. (2004). Tratado político. Madrid: Alianza Editorial. (Original publicado em 1677)