Idiocia
A idiocia, inspirada na figura do “idiota” enquanto personagem conceitual, designa uma disposição de suspensão crítica, que resiste à urgência, à pressa e à pretensão de totalizar o sentido do que se sabe. O idiota não recusa o saber, mas desacelera o pensamento e a ação, interrompe a circulação automática de significados e impõe um tempo de hesitação diante das situações. Sua fala, mais próxima de um idioma singular do que de uma língua comum, introduz um hiato na comunicação consensual, rompendo a transparência e a intercambiabilidade dos discursos. A idiocia não busca ignorar nem destruir os saberes, mas desautorizar a captura imediata do sentido, criando um espaço onde outras possibilidades de mundo possam emergir.
Relaciona-se ao urbanismo menor ao valorizar gestos infraordinários e não produtivistas, que escapam às métricas de eficiência e resistem à normatividade do planejamento; conecta-se às atmosferas espaciais ao instaurar ambiências de suspensão, que retardam a percepção e abrem tempo para sentir o que ainda não se nomeia; vincula-se aos in-between spaces por criar interstícios de indeterminação, onde o comum não é dado de antemão mas precisa ser lentamente tecido; e aproxima-se da arquitetura menor por habitar as margens do fazer arquitetônico, recusando os imperativos de monumentalidade, velocidade ou legibilidade, e abrindo espaço para o não sabido, o ambíguo e o ainda informe.