In-between

Entre-meio / In-between

O conceito de in-between no campo urbano e arquitetônico refere-se aos espaços de entremeio, intersticiais ou liminares, que emergem na cidade contemporânea como zonas de transição e negociação. Não se trata de vazios passivos, mas de lugares de potencialidade nos quais as práticas sociais, as identidades e as formas espaciais se reconfiguram. O in-between articula uma condição de ambiguidade: não pertence plenamente a uma categoria estabelecida — nem público nem privado, nem formal nem informal, nem interior nem exterior —, mas opera no limiar onde os limites se tornam porosos. Esses espaços, frequentemente subestimados pelo planejamento normativo, revelam-se como territórios de experimentação e apropriação social, capazes de acolher usos temporários, criativos e alternativos.

Do ponto de vista da teoria urbana, o in-between vincula-se tanto à noção de heterotopia (Michel Foucault) quanto à de terceiro espaço (Edward Soja), na medida em que problematiza as dicotomias estabelecidas e possibilita formas híbridas de convivência. Arquitetonicamente, manifesta-se em passagens, pátios, corredores, margens de infraestruturas, terrenos vazios ou bordas residuais que, ao serem reocupados, adquirem densidade simbólica e política. Em suma, o in-between não é um mero resíduo espacial, mas um campo de indeterminação fértil no qual se engendra uma cidade mais aberta, plural e adaptável.

Referências:
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