In-between

Idiocia

A idiocia, inspirada na figura do โ€œidiotaโ€ enquanto personagem conceitual, designa uma disposiรงรฃo de suspensรฃo crรญtica, que resiste ร  urgรชncia, ร  pressa e ร  pretensรฃo de totalizar o sentido do que se sabe. O idiota nรฃo recusa o saber, mas desacelera o pensamento e a aรงรฃo, interrompe a circulaรงรฃo automรกtica de significados e impรตe um tempo de hesitaรงรฃo diante das situaรงรตes. Sua fala, mais prรณxima de um idioma singular do que de uma lรญngua comum, introduz um hiato na comunicaรงรฃo consensual, rompendo a transparรชncia e a intercambiabilidade dos discursos. A idiocia nรฃo busca ignorar nem destruir os saberes, mas desautorizar a captura imediata do sentido, criando um espaรงo onde outras possibilidades de mundo possam emergir.


Relaciona-se ao urbanismo menor ao valorizar gestos infraordinรกrios e nรฃo produtivistas, que escapam ร s mรฉtricas de eficiรชncia e resistem ร  normatividade do planejamento; conecta-se ร s atmosferas espaciais ao instaurar ambiรชncias de suspensรฃo, que retardam a percepรงรฃo e abrem tempo para sentir o que ainda nรฃo se nomeia; vincula-se aos in-between spaces por criar interstรญcios de indeterminaรงรฃo, onde o comum nรฃo รฉ dado de antemรฃo mas precisa ser lentamente tecido; e aproxima-se da arquitetura menor por habitar as margens do fazer arquitetรดnico, recusando os imperativos de monumentalidade, velocidade ou legibilidade, e abrindo espaรงo para o nรฃo sabido, o ambรญguo e o ainda informe.

Referรชncias:
Deleuze, G. (1993). Crรญtica e clรญnica. Sรฃo Paulo: Editora 34. Stengers, I. (2014). La propuesta cosmopolรญtica. Revista Plรฉyade, 14(julio-diciembre), 17โ€“41. https://doi.org/10.4067/S0718-655X2014000200002.

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